domingo, 11 de setembro de 2011

O PROBLEMA DOS LIMITES ÉTICOS DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA (2a. parte)

Chama-se de visão ilustrada aquela que entende que as limitações da Ciência estão associadas aos limites dos seres humanos, ou seja, que estão associadas à própria condição humana. Assim, o ser humano é também um ser ético.

O ser humano ilustrado avalia suas condutas conforme referenciais valorativos racionais. Esses referenciais determinam limites para o agir do qual resulta a Ciência. Donde se segue a relação de limitação entre Ética e Ciência.

A Ética pretende e deverá dar conta de construir uma teoria racional das ações humanas, no sentido de identificar as proposições que descrevem as regras de conduta apropriadas para as diferentes situações que nos impõe as descobertas cientificas. O objetivo dos projetos éticos é encontrar critérios que permitam a consecução do 'bem', ou então, da felicidade do ser humano, enquanto que, o objetivo das teorias científicas é a 'verdade'. Contudo, supostamente a 'verdade' expressa a forma mais eficiente de se tratar com o mundo.

Assim, a Ética tem por objetivo a determinação das regras de conduta que prescrevem os atos que traduzem a noção de bem, ou felicidade, no agir humano. A determinação do bem é uma tarefa que envolve a capacidade cognitiva do ser humano, que aqui se pretende defender que seja a atividade racional.

A responsabilidade moral dos cientistas indica a disposição que eles têm de justificar, de oferecer boas razões para as formas de conduta que efetivamente possuem.

Assim, os cientistas estão obrigados a justificar esses valores e as práticas que eles implicam e informar sobre os riscos das tecnologias que empregam.

A questão da responsabilidade moral dos cientistas encontra-se aqui delineada no confronto de quatro teses fundamentais. Assim,

1. A Ciência e a Tecnologia não são moralmente neutras;

2. O progresso científico e tecnológico podem não ser um bem em si mesmo para a humanidade;

3. A aplicação dos resultados das descobertas científicas e inovações tecnológicas não é sempre um bem para a humanidade;

4. Há limites morais para a investigação científica e a invenção tecnológica.

Cabe ao ser humano saber as conseqüências da aplicação das descobertas e decidir quais são aquelas que ele deseja utilizar e cabe aos cientistas criar mecanismos para que as conseqüências indesejáveis sejam evitadas.

No entanto, é preciso acreditar que no ser humano, em última instância, além do desejo de conhecer, existe a vontade de ser justo; ou seja, de ter condutas que satisfaçam os critérios de moralidade, ainda que seja particularmente difícil a sua identificação. Portanto, é preciso estar convencido de que a racionalidade humana não é expressa somente na Ciência, mas é principalmente na Ética que ela encontra sua expressão maior.

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